Cartoon-sobre-o-Ruim

Site do Ruim

(não é bem dele, porque
outras pessoas é que o fizeram!)

.. não era o meu. O "Kadafi" era, sem dúvida alguma, o detentor desse título. Este "Kadafi" não era o ditador líbio que perdeu a cabeça, mas sim um senhor com quem eu trabalhei nos meus "vintes" num escritório. Já não me recordo do nome real, mas esta alcunha foi-lhe concedida pelo meu próprio pai (que trabalhava na mesma empresa) depois do "Kadafi" lhe dizer no primeiro dia de trabalho "Vais às Finanças? O gajo do balcão já comeu a minha mulher!" e por uma vez ter ameaçado a patroa que ia colocar explosivos na secretária se não o aumentassem. Era uma pessoa bastante afável e sempre disposta a cuidar dos filhos dos outros funcionários, como por exemplo, da Dona Augusta dos pagamentos. Esta lembrou-se um dia de levar o seu petiz de dez anos para o escritório e de pedir ao "Kadafi" para tomar conta do miúdo durante a hora de almoço. "Pára lá de fazer desenhos, vamos passear!" e decidiu levar o puto a uma sex-shop no Conde Redondo que tinha um peep-show durante o dia e explicou-lhe que aquela zona de Lisboa era "o sítio onde os travecas atacam à noite e é onde o teu pai às vezes anda quando não quer aturar a tua mãe!".

Mas ele não teve uma infância muito fácil. Contou-me o "Kadafi" - num dos seus raros momentos emocionais - que o pai dele era uma besta e é por essa razão que ele gostava tanto de mimar os filhos dos colegas.

"Uma vez ia de mão dada com o meu pai e resolvi dar os bons dias a um amigo dele que o cumprimentou. O meu pai deu-me um bofetadão e disse que eu não tinha nada que falar a quem não conhecia de lado nenhum. Dias depois passámos por outro amigo dele, eu não disse nada e ele espetou-me outro bofetadão por eu ser um mal-educado que não fala às pessoas!".

O "Kadafi" era um boss.

Anteontem mandei uma laracha sobre os dois novos reality shows das noites de domingo das estações privadas e não fui honesto convosco. Na verdade, eu não vi nem um nem o outro e peço desculpa pela falta de seriedade que demonstrei. O que se passou na realidade é que a minha box deu o berro na tarde de domingo e só hoje é que a vão substituir. Talvez o próprio equipamento tenha pensado "não estou para isto, vou-me suicidar" porque já sabia o que aí vinha ou talvez tenha fritado algum dos componentes, mas é mais giro pensar que a minha box é um organismo robótico senciente mais inteligente que a audiência destes programas.

Mas não foi preciso eu ver para acertar em cheio, certo? Deixem-me fazer um pouco de astrologia regressiva ao que possa ou não ter-se passado nesses programas e isto aplica-se a ambos:

Ambos os programas consistem numa espécie de concurso de popularidade junto do público por parte de um selecto grupo de concorrentes escolhidos a dedo pela produção com vista a maximizar o ridículo de cada um. Houve uma espécie de "apresentação individual" de cada concorrente acompanhada de música de elevador se for uma pessoa relativamente medíocre, música dramática no caso do concorrente ter sido abandonado em criança pelos pais, depois foi criado por lobos na serra, depois os lobos também o abandonaram e agora quer uma namorada ou então é a música de elevador interrompida por efeitos sonoros de buzinas e molas quando alguma barbaridade é proferida pelo acéfalo de serviço, porque a veia criativa da produção não dá para mais que isto. Os/as concorrentes vão desde "o meu sonho era ser uma pessoa" a "vocês sabiam que os cães nos entendem a nós?" e a única razão de ali estarem é por não possuírem uma pinga de noção.

Foi muito ao lado ou ando lá perto? Domingo prometo ver isto para fazer uma análise mais cuidada e dar audiências a este tipo de programas, porque o meu sonho é ver Roma a arder. Continuem assim. Há quatro dias estavam todos orgulhosos a fazer reportagens sobre marchas feministas e na noite domingo andaram a leiloar mulheres como se fossem gado.

Bravo!

Tudo a prontos para o Carnaval? P#tedo, já escolheram aquele fato que diz "quero aquele equilíbrio entre "ok, sou uma vampira assustadora mas consigo aviar 3 gajos se for preciso"?

Após alguma deliberação, decidi ir de "Santa da Bola" hoje à noite ao Carnaval de Torres. Caso não saibam do que se passou, aqui fica o resumo: a Igreja Católica, essa entidade que se ofende com bonecos de gesso mas fecha os olhos ao abuso sexual de menores, exerceu pressão ao poder local para que retirasse uma estátua de uma Santa com uma bola de futebol no lugar da cara do monumento ao Carnaval de Torres. Eu percebo, pois todos temos os nosso limites. Uma coisa é uma alegre celebração pagã de milhares em que se satiriza figuras de poder, outra é chular o dinheiro dos crentes quando estamos isentos de impostos. Percebo perfeitamente.

Posto isto, eu fiz uma máscara de Santa da Bola para hoje à noite. Fica aqui o desafio aos beatos que me tentem tirar do Carnaval de Torres e também para os restantes foliões: mascarem-se de Santa da Bola. Com um pouco de sorte, algum padre tira um pouco do seu tempo de tocar em crianças e acusa-nos a todos de heresia. E nós? Rimos e cantamos "ela tem hora de partida na Caraaaavelaaaa!"

"Bom Carnaval". E metam o vosso lápis azul na peida.

Não era bastante mais fácil ir jantar fora no Dia dos Namorados aos 16/17 anos do que agora? A diferença está na experiência acumulada e na expectativa criada. Tenho ideia que o primeiro jantar desse género que tive foi num restaurante chinês. E não se espera mais nada desse jantar senão o jantar em si. Só o facto de estares a jantar naquele dia com outra pessoa é uma experiência fantástica e dois crepes, um chop suey a meias e uma taça de arroz chau chau faziam a festa. Lembro-me de um casal trintão estar a jantar ao nosso lado e ter passado a refeição a rir da nossa inocência. Sim, olhem para nós que não sabemos nada da vida e vocês os dois com trinta e tal anos com a vida a correr-vos tão bem que estão a jantar num chinês no Dia dos Namorados #losers. É a "fase inocente".

Aos vinte e tais, só vamos jantar com um objectivo. Não vale a pena dizer qual o objectivo, apenas vale mencionar que toda a postura nesse jantar do nosso lado é fazer passar a impressão ao outro lado que a última coisa que estamos a pensar em fazer depois de sair dali é exactamente a única coisa em que estamos a pensar fazer o jantar todo. É a chamada "fase teatral". Estou a falar dos homens, elas sabem imediatamente depois do "boa noite" que ouvem se vão ou não deixar aquela pessoa entrar por ela a dentro.

Eis que chegam os trintas e por aí adiante com toda a sua sabedoria. Jantar fora? Claro que sim. Deixa-me ler o menu de jantar do Dia dos Namorados deste restaurante labrego a querer passar-me a perna. "Lombo de porco em cama de esparregado e batata ponte nova". Com que então foram ao talho comprar carne de porco, meteram em cima de esparregado e sabem cortar batatas de um certo tamanho (ficam já avisados dessa tanga do "ponte nova"). Preço: 35€ por cabeça. Que tal se pegarmos neste dinheiro, comprarmos marisco, comemos em casa, vemos Netflix e temos sexo a pensar em outra pessoa? Esta é a "fase realista".

Sim, é suspeito e quase de certeza que o animal lhe levanta a luva (nunca percebi como é que uma porta deixa um olho negro a alguém, mas tudo bem). Mas depois de ouvires isto, vês a pessoa em causa a ir contra a mesa do café como se não a tivesse visto e ainda se ri a dizer "ai, sou tão desastrada!", o que é que uma pessoa pensa? Que, de facto, esta tipa é um lemming que precisa de ir ao oculista. E agora em que é que ficamos?

Outro caso: nódoas negras nas pernas (e isto é por experiência própria). A senhora sai à rua de saia e todos reparam em várias nódoas negras nas pernas. Apenas e só nas pernas é que existem marcas. O que é que se passa aqui? Vive com um agressor de vinte centímetros que lhe espanca as pernas? Com um central que faz entradas de carrinho na cozinha quando ela deixa queimar o empadão? Ou será que estamos na presença de mais uma que se levanta de manhã a bocejar e vai contra os cantos da cama com as pernas e grita "Porra, outra vez? Merda que me aleijei!". E agora em que é que ficamos?

Último caso: marcas de dentada. Noite de domingo, casal a divertir-se no sofá, tudo numa boa. A menina - que não deve ter mais nada com que brincar - começa a dar dentadinhas no braço do "amor". Dentadinha e vai de rir. O gajo diz "não me mordas que isso dói!". Ela ri e continua. Mais uma dentadinha e ele diz "já te disse que isso aleija mais do que julgas e para parares quieta que quero ver o filme". A menina faz birra e diz "ai que comichoso, só estou a brincar contigo!", pára por um minuto, volta a morder o homem após estes avisos todos e leva com uma dentada na mão (assim meio a brincar, meio a sério) como resposta. O que é que acontece?

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAI QUE ME ALEIJASTE!
- Eu? Já te tinha dito para parares quieta.
- MAS EU ESTAVA A BRINCAR. TU FIZESTE A SÉRIO. OLHA PARA ESTA MARCA QUE DEIXASTE. ESTÁS A RIR? TU BATESTE-ME. Vou dizer...

E agora em que é que ficamos? Ficamos que se vos morderem, mordam de volta. Mania das gajas em fazer esta merda. Já viram os meus dentes? Mas quem é que no seu perfeito juízo me morde? Isto é como chegar ao pé do Ronaldo e dizer "aposto que te consigo fintar!".

Mas sim, olho negro e portas é suspeito.

Tenho realmente bastante prazer em cozinhar e faço questão de ser eu o único em casa a fazê-lo para não ter um prato com torradas, arroz e mostarda na mesa para o almoço. Mas há limites para o porreirismo. Ultimamente tenho comprado sempre frangos felizes, ou seja, frangos do campo do tamanho de veados que supostamente morreram felizes porque foram criados no solo (ao contrário dos frangos infelizes que são criados no ar). Tirei o frango ontem à noite do congelador para o almoço de hoje, deixei a descongelar e hoje de manhã pus-me a olhar para o frango feliz a pensar em como fazê-lo. Vinda do quarto do palácio real da Buraca, Sua Alteza a Rainha do Sabá vem à cozinha beber um copo de água, olha para mim, olha para o frango, diz "faz frango de fricassé e acorda-me quando estiver pronto!", volta para a cama e deixa-me a olhar para o nada. Mas eu sou o Carson do Downtown Abbey? "Servo, faz isto que me apetece enquanto eu vou roncar que nem uma porca até às 14:00!".

Eu vou fazer frango de fricassé, mas é porque eu quero e porque realmente era isso que tinha planeado. Não porque mandam em mim.

Depois "ah, a violência doméstica e zzze zzze zzze".

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