Cartoon-sobre-o-Ruim

Site do Ruim

(não é bem dele, porque
outras pessoas é que o fizeram!)

Recordo-me vagamente de os ver a correr para me avisar da existência de um lugar num sitio totalmente fora do meu campo de visão, de os ver com aquele olhar Casal da Eira e a apontarem para o lugar e realmente sentir que os meus 60 cêntimos em moedas de 5 e de 10 vão ser bem empregues. Já repararam no arrumadismo moderno? Estão ao lado do lugar mais visível e apontam com um dedo. Eu estou literalmente a 2 metros do lugar que eu vi a 100 metros de distância e tenho um arrumador (ou um explorador, depende se tiver ou não um gorro na cabeça) a dizer-me "está aqui um lugar!".

O seguinte diálogo ocorre na minha cabeça enquanto estaciono o carro: "eu sei que está aí um lugar!" , "sim, mas eu estou a apontar para ele!", "sim, mas eu vi esse lugar e tu saíste de dentro de uma betoneira a correr para me dizer que estava aí um lugar!", "sim, mas é um lugar e eu estou a apontar para ele e acho que mereço moedas por estar a fazer isto!", "sim, mas qual é o propósito de estares a fazer isso se eu vi o lugar?", "sim, mas deixa-te de diálogos imaginários porque ele risca-te a pintura com um dos dois dentes que tem!".

Acabo por agradecer na mesma o serviço público.

Eu sou um fervoroso apoiante de tudo o que faça avançar a nossa sociedade em termos de igualdade de género. Sim, faço piadas misóginas mas se repararem bem, antes da palavra "misóginas" está escrito "piadas" e se não percebeste esta podes pedir a um homem que te explique. E isto funciona para os dois lados, pese embora, nós homens humanos, temos de começar com pés de lã nas nossas "exigências".

A título de exemplo, eu gostava de poder elogiar os atributos físicos dos meus amigos sem me sentir constrangido. Neste campo as mulheres estão bastante mais à vontade pois não existe nenhum tipo de constrangimento em dizer coisas tipo "matava para ter umas mamas como as tuas, Telma!" ou "essas calças fazem-te um rabo, Nádia!". Tudo perfeitamente aceite e correctamente interpretado por ambos os lados.

Eu não posso fazer isto com os meus amigos e às vezes gostava. Não posso dizer "gostava tanto de ter uns tomates como os teus, João!" ou "essas calças realçam-te o nabo, Tiago!". Não podemos dizer estas coisas porque receamos que seja dada uma má interpretação a este elogio ou então é porque temos realmente o nabo do Tiago na boca e não conseguimos mesmo falar. Gostava de me sentir à vontade para o fazer e estou amordaçado pela sociedade. Ou pelo Tiago num jogo estranho de BDSM e não consigo mesmo falar para o elogiar, mas tudo bem.

Isto é só uma ideia e fica aqui a minha posição em relação a este assunto.

Elite, emprestai-me os vossos ouvidos ou o que sobrar deles após duas manhãs a ouvir as conversas da pobretada do passe Navegante no comboio...

.. não era o meu. O "Kadafi" era, sem dúvida alguma, o detentor desse título. Este "Kadafi" não era o ditador líbio que perdeu a cabeça, mas sim um senhor com quem eu trabalhei nos meus "vintes" num escritório. Já não me recordo do nome real, mas esta alcunha foi-lhe concedida pelo meu próprio pai (que trabalhava na mesma empresa) depois do "Kadafi" lhe dizer no primeiro dia de trabalho "Vais às Finanças? O gajo do balcão já comeu a minha mulher!" e por uma vez ter ameaçado a patroa que ia colocar explosivos na secretária se não o aumentassem. Era uma pessoa bastante afável e sempre disposta a cuidar dos filhos dos outros funcionários, como por exemplo, da Dona Augusta dos pagamentos. Esta lembrou-se um dia de levar o seu petiz de dez anos para o escritório e de pedir ao "Kadafi" para tomar conta do miúdo durante a hora de almoço. "Pára lá de fazer desenhos, vamos passear!" e decidiu levar o puto a uma sex-shop no Conde Redondo que tinha um peep-show durante o dia e explicou-lhe que aquela zona de Lisboa era "o sítio onde os travecas atacam à noite e é onde o teu pai às vezes anda quando não quer aturar a tua mãe!".

Mas ele não teve uma infância muito fácil. Contou-me o "Kadafi" - num dos seus raros momentos emocionais - que o pai dele era uma besta e é por essa razão que ele gostava tanto de mimar os filhos dos colegas.

"Uma vez ia de mão dada com o meu pai e resolvi dar os bons dias a um amigo dele que o cumprimentou. O meu pai deu-me um bofetadão e disse que eu não tinha nada que falar a quem não conhecia de lado nenhum. Dias depois passámos por outro amigo dele, eu não disse nada e ele espetou-me outro bofetadão por eu ser um mal-educado que não fala às pessoas!".

O "Kadafi" era um boss.

Anteontem mandei uma laracha sobre os dois novos reality shows das noites de domingo das estações privadas e não fui honesto convosco. Na verdade, eu não vi nem um nem o outro e peço desculpa pela falta de seriedade que demonstrei. O que se passou na realidade é que a minha box deu o berro na tarde de domingo e só hoje é que a vão substituir. Talvez o próprio equipamento tenha pensado "não estou para isto, vou-me suicidar" porque já sabia o que aí vinha ou talvez tenha fritado algum dos componentes, mas é mais giro pensar que a minha box é um organismo robótico senciente mais inteligente que a audiência destes programas.

Mas não foi preciso eu ver para acertar em cheio, certo? Deixem-me fazer um pouco de astrologia regressiva ao que possa ou não ter-se passado nesses programas e isto aplica-se a ambos:

Ambos os programas consistem numa espécie de concurso de popularidade junto do público por parte de um selecto grupo de concorrentes escolhidos a dedo pela produção com vista a maximizar o ridículo de cada um. Houve uma espécie de "apresentação individual" de cada concorrente acompanhada de música de elevador se for uma pessoa relativamente medíocre, música dramática no caso do concorrente ter sido abandonado em criança pelos pais, depois foi criado por lobos na serra, depois os lobos também o abandonaram e agora quer uma namorada ou então é a música de elevador interrompida por efeitos sonoros de buzinas e molas quando alguma barbaridade é proferida pelo acéfalo de serviço, porque a veia criativa da produção não dá para mais que isto. Os/as concorrentes vão desde "o meu sonho era ser uma pessoa" a "vocês sabiam que os cães nos entendem a nós?" e a única razão de ali estarem é por não possuírem uma pinga de noção.

Foi muito ao lado ou ando lá perto? Domingo prometo ver isto para fazer uma análise mais cuidada e dar audiências a este tipo de programas, porque o meu sonho é ver Roma a arder. Continuem assim. Há quatro dias estavam todos orgulhosos a fazer reportagens sobre marchas feministas e na noite domingo andaram a leiloar mulheres como se fossem gado.

Bravo!

Tudo a prontos para o Carnaval? P#tedo, já escolheram aquele fato que diz "quero aquele equilíbrio entre "ok, sou uma vampira assustadora mas consigo aviar 3 gajos se for preciso"?

Após alguma deliberação, decidi ir de "Santa da Bola" hoje à noite ao Carnaval de Torres. Caso não saibam do que se passou, aqui fica o resumo: a Igreja Católica, essa entidade que se ofende com bonecos de gesso mas fecha os olhos ao abuso sexual de menores, exerceu pressão ao poder local para que retirasse uma estátua de uma Santa com uma bola de futebol no lugar da cara do monumento ao Carnaval de Torres. Eu percebo, pois todos temos os nosso limites. Uma coisa é uma alegre celebração pagã de milhares em que se satiriza figuras de poder, outra é chular o dinheiro dos crentes quando estamos isentos de impostos. Percebo perfeitamente.

Posto isto, eu fiz uma máscara de Santa da Bola para hoje à noite. Fica aqui o desafio aos beatos que me tentem tirar do Carnaval de Torres e também para os restantes foliões: mascarem-se de Santa da Bola. Com um pouco de sorte, algum padre tira um pouco do seu tempo de tocar em crianças e acusa-nos a todos de heresia. E nós? Rimos e cantamos "ela tem hora de partida na Caraaaavelaaaa!"

"Bom Carnaval". E metam o vosso lápis azul na peida.

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