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(não é bem dele, porque
outras pessoas é que o fizeram!)

Não era bastante mais fácil ir jantar fora no Dia dos Namorados aos 16/17 anos do que agora? A diferença está na experiência acumulada e na expectativa criada. Tenho ideia que o primeiro jantar desse género que tive foi num restaurante chinês. E não se espera mais nada desse jantar senão o jantar em si. Só o facto de estares a jantar naquele dia com outra pessoa é uma experiência fantástica e dois crepes, um chop suey a meias e uma taça de arroz chau chau faziam a festa. Lembro-me de um casal trintão estar a jantar ao nosso lado e ter passado a refeição a rir da nossa inocência. Sim, olhem para nós que não sabemos nada da vida e vocês os dois com trinta e tal anos com a vida a correr-vos tão bem que estão a jantar num chinês no Dia dos Namorados #losers. É a "fase inocente".

Aos vinte e tais, só vamos jantar com um objectivo. Não vale a pena dizer qual o objectivo, apenas vale mencionar que toda a postura nesse jantar do nosso lado é fazer passar a impressão ao outro lado que a última coisa que estamos a pensar em fazer depois de sair dali é exactamente a única coisa em que estamos a pensar fazer o jantar todo. É a chamada "fase teatral". Estou a falar dos homens, elas sabem imediatamente depois do "boa noite" que ouvem se vão ou não deixar aquela pessoa entrar por ela a dentro.

Eis que chegam os trintas e por aí adiante com toda a sua sabedoria. Jantar fora? Claro que sim. Deixa-me ler o menu de jantar do Dia dos Namorados deste restaurante labrego a querer passar-me a perna. "Lombo de porco em cama de esparregado e batata ponte nova". Com que então foram ao talho comprar carne de porco, meteram em cima de esparregado e sabem cortar batatas de um certo tamanho (ficam já avisados dessa tanga do "ponte nova"). Preço: 35€ por cabeça. Que tal se pegarmos neste dinheiro, comprarmos marisco, comemos em casa, vemos Netflix e temos sexo a pensar em outra pessoa? Esta é a "fase realista".

Sim, é suspeito e quase de certeza que o animal lhe levanta a luva (nunca percebi como é que uma porta deixa um olho negro a alguém, mas tudo bem). Mas depois de ouvires isto, vês a pessoa em causa a ir contra a mesa do café como se não a tivesse visto e ainda se ri a dizer "ai, sou tão desastrada!", o que é que uma pessoa pensa? Que, de facto, esta tipa é um lemming que precisa de ir ao oculista. E agora em que é que ficamos?

Outro caso: nódoas negras nas pernas (e isto é por experiência própria). A senhora sai à rua de saia e todos reparam em várias nódoas negras nas pernas. Apenas e só nas pernas é que existem marcas. O que é que se passa aqui? Vive com um agressor de vinte centímetros que lhe espanca as pernas? Com um central que faz entradas de carrinho na cozinha quando ela deixa queimar o empadão? Ou será que estamos na presença de mais uma que se levanta de manhã a bocejar e vai contra os cantos da cama com as pernas e grita "Porra, outra vez? Merda que me aleijei!". E agora em que é que ficamos?

Último caso: marcas de dentada. Noite de domingo, casal a divertir-se no sofá, tudo numa boa. A menina - que não deve ter mais nada com que brincar - começa a dar dentadinhas no braço do "amor". Dentadinha e vai de rir. O gajo diz "não me mordas que isso dói!". Ela ri e continua. Mais uma dentadinha e ele diz "já te disse que isso aleija mais do que julgas e para parares quieta que quero ver o filme". A menina faz birra e diz "ai que comichoso, só estou a brincar contigo!", pára por um minuto, volta a morder o homem após estes avisos todos e leva com uma dentada na mão (assim meio a brincar, meio a sério) como resposta. O que é que acontece?

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAI QUE ME ALEIJASTE!
- Eu? Já te tinha dito para parares quieta.
- MAS EU ESTAVA A BRINCAR. TU FIZESTE A SÉRIO. OLHA PARA ESTA MARCA QUE DEIXASTE. ESTÁS A RIR? TU BATESTE-ME. Vou dizer...

E agora em que é que ficamos? Ficamos que se vos morderem, mordam de volta. Mania das gajas em fazer esta merda. Já viram os meus dentes? Mas quem é que no seu perfeito juízo me morde? Isto é como chegar ao pé do Ronaldo e dizer "aposto que te consigo fintar!".

Mas sim, olho negro e portas é suspeito.

Tenho realmente bastante prazer em cozinhar e faço questão de ser eu o único em casa a fazê-lo para não ter um prato com torradas, arroz e mostarda na mesa para o almoço. Mas há limites para o porreirismo. Ultimamente tenho comprado sempre frangos felizes, ou seja, frangos do campo do tamanho de veados que supostamente morreram felizes porque foram criados no solo (ao contrário dos frangos infelizes que são criados no ar). Tirei o frango ontem à noite do congelador para o almoço de hoje, deixei a descongelar e hoje de manhã pus-me a olhar para o frango feliz a pensar em como fazê-lo. Vinda do quarto do palácio real da Buraca, Sua Alteza a Rainha do Sabá vem à cozinha beber um copo de água, olha para mim, olha para o frango, diz "faz frango de fricassé e acorda-me quando estiver pronto!", volta para a cama e deixa-me a olhar para o nada. Mas eu sou o Carson do Downtown Abbey? "Servo, faz isto que me apetece enquanto eu vou roncar que nem uma porca até às 14:00!".

Eu vou fazer frango de fricassé, mas é porque eu quero e porque realmente era isso que tinha planeado. Não porque mandam em mim.

Depois "ah, a violência doméstica e zzze zzze zzze".

Doenças agenciadas

Não acho que as doenças sejam uma moda, tirando a parvoíce da pancada com o glúten. Os celíacos não podem ingerir alimentos com glúten, os restantes idiotas acham que glúten é milho importado. Mas os nomes das doenças desempenham um papel importante na forma como as encaramos. Por muito graves ou menos graves que sejam, nem todas as doenças seriam tão assustadoras sem o nome que têm.

Da primeira vez que tive contacto com o sarcasmo fiquei extremamente confuso. Como é que é possível alguém estar a dizer alguma coisa, mas não estar realmente a dizer aquela coisa que está a dizer? E porque razão o faz? É maluco? Eu tinha desculpa em pensar assim porque tinha dez anos.

Na pior das hipóteses

Nunca tinha visto tanta revolta e controvérsia pela alteração de um escalão de IVA. Realmente, as pessoas têm mesmo um grande amor ao código fiscal neste país e é de estranhar porque é que ainda se preenche a declaração de IRS como se fosse um Totobola. Estou muito surpreendido com esta questão do IVA das touradas, especialmente porque o meu dealer não paga impostos, daí ter assumido que actividades moralmente reprováveis estavam isentas de tributação.

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O Livro do Ruim

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A compilação dos melhores textos da página e com prefácio do não tão conhecido Quimera.

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O auto-proclamado autor, guionista, blogger e comediante.