O que é que importa afinal? No meio desta festa toda, não vale a pena falar de muita coisa.

Não vale a pena falar dos corsos. Do corso escolar que contou com mais de 8000 crianças das escolas do concelho, todas devidamente mascaradas ao pormenor. Porquê? Porque as crianças são uma seca. Não se embebedam, não sabem as letras das músicas e não pagam nada a um gajo. Do corso de domingo, muito menos. Não há palavras que cheguem ou directos a meio da tarde que façam justiça (atenção que vem aí um palavrão) À FESTA DO C#RALHO que aquilo é. Ele é carros, ele é matrafonas de copo na mão, ele é chineses, eu sei lá, f#da-se. Não vale a pena falar do ambiente nocturno das ruas de Torres. Não vale a pena falar de todos os bares, tascos e palcos. Tem uma porta aberta, um balcão e música a dar? Podem crer que há lá festa rija até às tantas. Não vale a pena falar do facto de que os DJ’s de Torres não sabem o conceito de “esta é a última”, porque eu ouvi 40929 últimas músicas. Não vale a pena falar das associações e grupos do Carnaval de Torres. “A Real Confraria do Carnaval de Torres”, “Fidalgos”, “Ministros & Matrafonas”, “Lumbias”, “Marias Cachuchas” e restantes. Porquê? Porque quando se fala a sério sobre brincar, convém saber mesmo o que se está a dizer.

 

Ao contrário de quando se fala a brincar sobre o que é sério e aí podemos ser totalmente descuidados no que dizemos. Todos estes grupos e associações têm o seu papel e o seu lugar no Carnaval de Torres e se quiserem saber mais, vão perguntar a quem realmente vos pode esclarecer como deve ser. Facto curioso: parece que muitos dos Lumbias são bombeiros. Infelizmente, um senhor sentiu-se mal durante o corso de domingo e, bombeiro é bombeiro, mesmo vestido de Branca de Neve #sóemTorres. Não vale a pena falar daqueles resistentes de uma (ou mais) noites, que fogem da cama como o Diabo foge da Cruz e que enchem a praça do mercado numa rodinha em que já não se diz pão, mas em que há sempre apetite para comer uma “resmenga” com as patas ou uma sandes de cozido #istovieu Não vale a pena falar daqueles Foliões (com F de F#didos) com idade para serem meus pais e com espírito de serem meus filhos. Não vale a pena falar das centenas de máscaras fantásticas individuais ou de grupo. Dos restaurantes sempre à pinha e onde todos se juntam em comezainas por nem se quererem aproximar do fogão para cozinhar nestes dias. Não vale a pena falar disto. Sabem porquê? Porque se querem mesmo saber o que é, vão lá. Vão uma sexta, um sábado ou um domingo. Vão os 6 dias, se vos apetecer. Vejam tudo ou só o que vos interessa. Vivam apenas de noite ou, se forem mais maric… caseirinhos, vão pelos corsos e pelo espectáculo de luz e de cor. Vivam esta festa como vos apetecer. Não há nenhum livrinho de regras sobre como isto deve ser vivido (mas dava jeito!). Na mesma rua podem encontrar uma família mascarada de igual todos sorridentes e uma matrafona sem voz com os tomates a aparecerem pelo fio dental rasgado. E está tudo bem, nada se passa, porque o que interessa é apenas…. o Carnaval.

O que vale a pena falar? Uma coisa. Só uma. Encontrei uma rapariga no domingo durante o corso que me disse o seguinte:

“Ruim, estás a ver aquela rapariga ali? Ela veio experimentar o Carnaval de Torres depois de ter lido o que escreveste.”

Isso sim é que é giro e merece ser falado!

Este ano a estadia foi mais curta por razões pessoais e também profissionais. Para o ano, a ver se faço a dobradinha assaltos + 6 dias de Carnaval. No último dia (domingo) andei à civil porque me queria pirar e não queria correr o risco de ceder à tentação (eu conheço-me e conheço-vos). O meu muito obrigado ao Ivan Rodrigues e Filipa Ceia por terem sido os melhores anfitriões que poderia ter e por me terem mostrado todo o mundo por detrás da festa do Carnaval. À família Bessa e amigos, à Isa Gonçalves e Alexandre Cardana por me aturarem, ao Manuel Mourão por uma noite divertida no Túnel, a todo o pessoal dos bares, ao Rei e à Rainha do Carnaval de Torres pela honra de me receberem nos aposentos, Real Confraria Carnaval de Torres, Fidalgos - Carnaval de Torres Vedras, Ministros & Matrafonas e Lumbias por me terem recebido nas suas "casas" como se fosse um deles, à Promotorres EM na pessoa da Joana Carapeta e, por último, a todos vocês daqui do Ruim que se cruzaram comigo nestes dois dias, sempre com abraços e palavras de amizade e carinho… e mais as p#tas das selfies.

Ainda não recuperei a visão, seus animais!

Até para o ano.

Rui Conceição

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