Lencinho – consistia em duas fações opostas que disputavam um lenço segurado por uma terceira pessoa. Esta normalmente ou era a mandona do grupo ou um gordo que não corria e a tarefa desse elemento era chamar por números e cada elemento da equipa ao ouvir o seu, corria como um desalmado para apanhar o lenço. Os guardas nazis jogavam isto com os judeus em Auschwitz e em vez do lenço era uma carcaça.

Mata (ou piolho) – consistia em duas equipas com um dos elementos na parte oposta exterior da sua zona a trocar a bola. O objetivo era a equipa ir trocando a bola com o piolho e ir “matando” os elementos da outra equipa. Terminava quando o caixa de óculos ficava com vidros na retina ou a gaja do aparelho levava uma bojarda nas ventas que lhe punha o maxilar como aquela gaja do Saw 2. Punha o pessoal a mexer-se e mantinha as vendas de Betadine da farmácia local em altas.

 

Macaca – jogo elitista para marrões da matemática e futuros acrobatas do Cirque du Soleil.

5 Pedras – Eram empilhadas 5 pedras da calçada (normalmente retiradas de algum sitio que fizessem falta) e duas equipas opostas tentavam as derrubar alternadamente com uma bola de ténis. Quando fossem derrubadas por uma equipa, esta fugia em debandada enquanto os outros os tentavam “matar” com a bola. Normalmente tornava-se numa arena de quezílias pessoais pois não foi uma nem duas que vi o Tinoco mandar a bola no meio dos olhos à miúda da bandolete que lhe tinha negado o 3 no bate-pé (ver mais abaixo) ao mesmo tempo que gritava “sua vaca de merda, também tenho sentimentos” e era ver a puta da bandolete a voar.

Escondidas – jogo secular com uma terminologia própria de índole sexual (coito, rebentar a bolha) e lá o que significa 1,2,3 salva todos e 1,2,3 não salva ninguém. Joga-se às escondidas desde 1143 e não há miúdo que não tenha jogado a isto. Ainda hoje em dia a orientação sexual do Pedro Granger continua escondida num armário à espera que alguém lhe arrebente a bolha.

Bate pé – Foi nesta arena primitiva que os primeiros esboços do Secret Story foram lançados pois basicamente era um grupo de acéfalos a querer meter a língua no esófago de outro grupo de acéfalos através de um pedido usando num número de código. Sei que o 1 era um aperto de mão, o 2 um beijo na cara e o 3 um beijo na boca (a partir daqui a malta inventava). Do ponto de vista sociológico era um laboratório de castas sociais e popularidade onde jogavam duas ou três miúdas giras, uma maria rapaz que secretamente tinha uma paixão por um dos miúdos mas que lhe batia constantemente, e uma feiosa que era aqui a única chance nesta década e na próxima de ser beijada. No lado oposto havia também dois ou três miúdos magros que jogavam bem á bola e que tinham um cabelo fantástico, o caixa de óculos e depois eu e o Tinoco. Ora, eu era obeso de fato de treino com joelheiras, cotoveleiras e só não tinha ombreiras porque se tinha acabado o stock de cabedal lá em casa. O Tinoco era demasiado alto para a idade, tinha uma perna maior que a outra o que lhe dava um andar manco e possuía a velocidade de raciocínio de uma preguiça paraplégica ao sol. Os putos bons da bola feitos lambões pediam logo o 3 (beijo na boca) ás giras e elas não batiam o pé e vai de se mamarem na minha cara. Eu ou ficava com a feia que já salivava como se tivesse a olhar para uma perna de presunto ou fazia um all in nas giraças. Aprendi assim que poker não era comigo. Quando eu pedia o 3, parecia que estava a ver uma atuação dos Stomp no Casino de Espinho mas no entanto no que tocava ao 1, eu era o campeão. Devo ter apertado mais mãos que o Presidente da República numa cimeira ibero-americana. A minha experiência no bate pé não foi mais que isto: uma sucessão de bacalhaus. O Tinoco lá perdia a vergonha e mamava no camafeu. “Um figuinho”, como ele dizia.

T-shirts

t shirts do ruim

T-shirts do Ruim na loja online do Cão Azul.

COMPRAR T-SHIRTS

O Livro do Ruim

livro do ruim

A compilação dos melhores textos da página e com prefácio do não tão conhecido Quimera.

COMPRAR O LIVRO

Quem?

ruim o rui conceicao

O auto-proclamado autor, guionista, blogger e comediante.