Sobras de lombo de porco na casa da mãe.

"Filho, não queres levar este restinho?" (restinho = meio porco)

"Não, mãe. Deixa. Fica para ti..."

"Oh meu amor mas estás tão magrinho. Toma. Levas aqui e podes dividir com os amigos do trabalho. A mãe gosta muito de ti."

Primeira morada: frigorífico.

Tupperware faz viagem de Fertagus. Lombo de porco comido à pressa a uma terça-feira. Tupperware faz nova viagem de Fertagus. Máquina de lavar loiça com ele e lá habita uns tempos.Tupperware lavado e arrumado junto dos outros 43 com a tampa semi encaixada mesmo a pedir para cair lá para trás dos outros tupperwares.

 Segunda morada: armário da cozinha.

Com outro tupperware na mão sem uma tampa que andamos à procura há 10 minutos, usamos a tampa do tupperware da nossa mãe para despachar. Estranhamos que aquilo não encaixa logo. Duas mocadas na tampa e lá aquilo entra. Passam-se dias. Queremos usar o tupperware da nossa mãe. Devolver a coisa não nos passa ainda pela cabeça e já nos auto-consideramos donos interinos do tupperware. Desta vez é umas sobras de pataniscas com arroz de feijão que estavam daqui (daqui = eu a agarrar na orelha). Não há tampa. F****-se, mais as tampas. Não percebo porque isto acontece. Rouba-se a tampa de outro tupperware. Estranhamos que aquilo não encaixa logo. Duas mocadas na tampa e lá aquilo entra.Tupperware faz viagem de Fertagus. Pataniscas com arroz de feijão comidas à pressa a uma quarta-feira.Tupperware faz nova viagem de Fertagus. Máquina de lavar loiça com ele e lá habita uns tempos outra vez.

Mãe liga.

"Oi meu amor. Queres vir cá almoçar este domingo? É cozido. Vê se vens, estás tão magrinho. E traz o meu tupperware"

"Qual tupperware? Não tenho cá nada, mãe..."

"Oh filho aquele que a mãe te mandou o lombo o outro dia. Mas faz-te falta. Precisas de tupperwares? E de meias? Queres meias? A mãe compra..."

"Oh mãe eu levo o tupperware... e deixa lá as meias. Tenho 33 anos. Posso comprar as minhas próprias meias? É sempre das com raquete que compras..."

"Oh meu amor, mas tu gostavas quando eras mais novo".

"Beijos. Eu levo o tupperware, está descansada."

Sair de casa. A meio da viagem percebo que me esqueci do tupperware. Duas caralh**** para o ar e passo acelerado para trás a mandar o tupperware para a c*** da mãe dele. Procurar o tupperware. Estou indeciso entre dois e não sei qual é o da minha mãe. Ambos estão com tampas que não lhes pertencem.

Ligo para a minha mãe.

"Tou? Mãe? Olha de que côr é o teu tupperware?"

"É coral, meu amor"

"Han?"

"Coral"

"Oh mãe eu conheço as cores primárias e as variantes. Isto não é um episódio do "Esquadrão G". Simplifica"

"É tipo rosa mais esbatido".

"Até já".

Levo o tupperware certo e com a tampa que lhe pertence. Chegada a casa da mãe. Tupperware entregue.

"Esta tampa não é daqui meu amor. Mas deixa. Olha queres depois levar restinho do cozido aqui?"

E recomeça.

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