A minha relação com a religião tem sido bastante de altos e baixos, um pouco como as minhas relações amorosas sendo que na primeira não terminou com “agarra nas tuas coisas e mete-te no caralho”. Em comum havia o facto de que havia um homem de barba a gritar e a chamar de puta uma madalena qualquer.A minha relação com a religião tem sido bastante de altos e baixos, um pouco como as minhas relações amorosas sendo que na primeira não terminou com “agarra nas tuas coisas e mete-te no caralho”. Em comum havia o facto de que havia um homem de barba a gritar e a chamar de puta uma madalena qualquer.A minha relação com a religião tem sido bastante de altos e baixos, um pouco como as minhas relações amorosas sendo que na primeira não terminou com “agarra nas tuas coisas e mete-te no caralho”. Em comum havia o facto de que havia um homem de barba a gritar e a chamar de puta uma madalena qualquer.A minha relação com a religião tem sido bastante de altos e baixos, um pouco como as minhas relações amorosas sendo que na primeira não terminou com “agarra nas tuas coisas e mete-te no caralho”. Em comum havia o facto de que havia um homem de barba a gritar e a chamar de puta uma madalena qualquer.O primeiro contacto que tive com essa instituição que já matou mais pessoas que a peste negra, gripe, peste bubónica, ébola e legionella combinados foi aos 8 ou 9 anos quando via o Tinoco aos sábados à tarde a ir para a catequese enquanto eu ficava a brincar com Legos. Todas as tardes lá ia ele com cara de pesar a arrastar aquele corpo de judeu com 1 ano de campo de concentração e uma vez eu perguntei ao senhor meu pai.

 

 “Ó pai, porque é que…
“CALA-TE, CARALHO!”

E toda a explicação que tive sobre religião da parte do meu pai foi esta e agora percebo que foi bem sábia. Até que um dia perdi a vergonha e perguntei ao Tinoco o que se lá fazia:
“Falamos sobre a palavra do Senhor, lemos e cantamos” – respondeu ele com cara de saloio babão.
Fiquei a pensar com os meus botões que eu próprio já andava na catequese em casa: o meu pai falava aos gritos até a dizer bom dia, portanto a palavra do Senhor era a dele. Cada vez que a minha mãe queimava o empadão, o meu pai punha-a a cantar de fininho e mandava-me para o quarto ler um livro e que tapasse os ouvidos “porque ia haver concerto em Ai Menor”. Mas o bichinho da religião ficou cá dentro.Quando finalmente cheguei à escola secundária deparei-me com uma disciplina facultativa chamada “Educação Moral e Religiosa”. Visto que a minha fantasia sexual de adolescente de conseguir não ter sexo entre o 10º e 12º ano estava a correr bem, resolvi inscrever-me nesta disciplina. “Vamos a passeios” – diziam todos. Lá entrei eu convencido que tinha arranjado um part-time na Agência Abreu quando afinal aquilo funciona como uma assinatura da revista Proteste: ok, ganhaste uma câmara digital de 1 megapixel feita por uma criança autista num país asiático, mas tens de gramar com estas revistas durante 1 ano. Valeu a pena aturar aquelas aulas de bons costumes porque conheci sítios exóticos que nunca teria oportunidade de conhecer como Óbidos, Gerês, Praia da Areia Branca e até Esposende. E queixo-me eu às vezes que não conheço nada do mundo. Também não foi desta que a religião pegou mas consegui comer pastéis de Tentúgal numa viagem que me levaram ao céu e juro que por momentos vi Deus.Chegando a adulto ou lá o que isto se chama e visto que não me enganaram em criança e na puberdade, agora batem-me à porta. Ele é testemunhas de Jeová, Igreja do Último Reino, Igreja de São Baptista em Chamas (adoro este nome porque puxa ao pirómano que há em mim), Igreja da ZON, Igreja do MEO e Igreja do Santo Caralho quando eu só quero é estar sossegado em casa. E esta gente parece ter um detetor de pecado embutido porque conseguem sempre interromper as minhas zumbinas e obrigam uma pessoa a levantar-se do sofá para ir abrir a porta com meia-casa. Se há uns anos atrás saiu aquele autocolante que se podia meter na caixa do correio para não meterem publicidade (e que bem isso funcionou segundo o artigo que li na Dica da Semana, panfleto do Jumbo, Pingo Doce e Continente mais 4 panfletos de astrólogos que tirei hoje do correio) porque não emitir um autocolante semelhante para pôr na porta?

Eu até faço um esboço do texto:

“Aqui nesta casa habita Satã: batemos píveas compulsivamente, somos a favor da interrupção voluntária da gravidez, defendemos o casamento e a adoção por parte de casais do mesmo sexo, somos a favor das instituições religiosas serem tributadas e não queremos ter nada a ver com grupos ou associações que promovam a discriminação, que se aproveitem da estupidez dos mais ignorantes para lhes sacar dinheiro e de uma forma geral não gostamos de abusar de crianças embora saibamos que por vezes há miúdos irritantes mas preferimos um par de estalos”.

Palavra do Senhor.

T-shirts

t shirts do ruim

T-shirts do Ruim na loja online do Cão Azul.

COMPRAR T-SHIRTS

O Livro do Ruim

livro do ruim

A compilação dos melhores textos da página e com prefácio do não tão conhecido Quimera.

COMPRAR O LIVRO

Quem?

ruim o rui conceicao

O auto-proclamado autor, guionista, blogger e comediante.