Pedi á minha amiga Maria Alice num intervalo das aulas de oboé que ela anda, que me auxiliasse a elaborar uma cábula para andar comigo no bolso quando oiço as minhas amigas a falar umas das outras.Pedi á minha amiga Maria Alice num intervalo das aulas de oboé que ela anda, que me auxiliasse a elaborar uma cábula para andar comigo no bolso quando oiço as minhas amigas a falar umas das outras.

“Opa ela é tão fixe” – é o camafeu. Serve para elas se sentirem bem com elas mesmas e faz de Photoshop portátil quando querem parecer mais bonitas naquelas fotos em fila de mão na anca que originalmente tiram de 30 em 30 segundos quando saem. Tentam sempre em vão fazer de cupidos com um camafeu homónimo e lá quando a moça se safa agem como se a miúda fosse uma atrasada mental que conseguiu apertar os cordões dos sapatos a primeira vez: “Opa, estou tão feliz por ti, ele é tão fixe como tu. Tão mesmo bem os dois juntos!"

 

“É uma ganda maluca” – um pouco acima do camafeu visto que até consegue aviar uns quantos. A sua função é servir de pino moral para as próprias ações das amigas como que “ok sou uma grande galdéria mas não sou como ela”. Secretamente é julgada pelo covil mas ninguém lhe diz nada porque esta menina é uma caixa de Pandora de todos os erros de putaria que as outras já cometeram. E quando se zangam comadres…

“É uma falsa” – é a que não papa os filmes das amigas. Um Zeca Afonso de saia numa ditadura da crica em que ou se está com o regime ou contra ele. Alinhou nos esquemas todos até que um dia reprovou que uma delas aviasse um tipo no WC de uma discoteca e passou logo a ser chamada de reacionária pelas outras. Avante camarada!

“É a minha mana” – a BFF. Usam roupa uma da outra, sabem todas as calhandrices mútuas e até já comeram o mesmo gajo na secundária para anos depois perderem a vergonha e numa noite de bebedeira se rirem da picha do desgraçado. Confiam-na ao pé dos namorados mas há sempre um bicho atrás da orelha porque sabe-se lá, certo? Se fizer merda é despromovida a falsa e o camafeu é promovida a “mana interina” com a condicionante de ser metida outra vez no caralho quando aparece outra mais bonita para ir às compras.

“É uma puta” – toda e qualquer gaja mais boa que elas.

“É uma puta de merda” – toda e qualquer gaja mais boa que elas e que ande a montar um gajo que elas também queriam cavalgar.

No final ela pergunta-me como é que nós gajos nos chamávamos uns aos outros.

Eu disse: “Pelo nome”.

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