Trinta e seis anos depois, o nome He-Man provoca-me sensações estranhas ao agarrar numa espada. Para quem nasceu nos anos 90 e costuma frequentar aquelas festas do Revenge of The 90’s por lhe fazer lembrar quando comia Bledina, o nome He-Man pode não dizer muito mas para as crianças dos anos 80 é sinónimo do maior herói que a febre dos esteróides da Guerra Fria alguma vez produziu.

Não há dúvida que He-Man era um gajo, começando pelo próprio nome: He-Man. Só para que não restassem dúvidas do par de cojones galácticos que este Ho-Mem tinha, ele era tão másculo que tinha de o dizer duas vezes no nome. He-Man era o alter-ego do Príncipe Adam que era a versão maricas do He-Man. O Príncipe Adam era um pacifista homossexual de colete cor de rosa, calças justas e cabelo loiro à tigela. Porém, quando Adam pegava vigorosamente na sua espada mágica e gritava “BY THE POWER OF GREYSKULL” ele ganhava – e passo a citar a Wikipédia - "fabulous secret powers" e transformava-se em He-Man: um super-hetero-herói musculado sem t-shirt, tanga enfiada no seu rabo (também ele musculado) e cabelo loiro à tigela. O He-Man defendia Eternia, um sítio em que nunca se via um raio de sol e que podia muito bem se chamar de Londres. Como qualquer bom princípe mariconço, ele tinha um gato (também ele um maricas de primeira) que depois de levar com a espada máscula do He-Man ganhava uma máscara étnica e rugia que nem um leão. Não sei que merda de poderes é que a espada tinha, mas cada vez que ele tocava nela, alguém perdia ou ganhava acessórios de moda.

O He-Man tinha amigos para além daquele tigre estranho que ele adorava montar (e ainda um vilão carismático!). 

SORCERESS

A única gaja com poderes que figurava no He-Man teve direito a um nome muito original. Ela é o quê? Uma feiticeira. Nada como chamar de Feiticeira (Sorceress) a uma feiticeira para que não restassem dúvidas do quão insignificante era uma personagem feminina no universo do He-Man (sem contar com a BFF/irmã She-Ra que chegou a aparecer de relance e que tinha o seu próprio cartoon). A Sorceress era um falcão que se transformava em gaja, o que deu origem a uma piada muito criativa do meu pai: “olha uma Falcona!” Como podem ver, humor requintado e cheio de classe é um traço natural da minha família.

MAN-AT-ARMS

Novamente, uma personagem com Man no nome, não fosse o pessoal julgar que um gajo de capacete e bigode à Village People era uma adolescente de 17 anos. O Man-At-Arms era bem capaz de ser o único gajo com “eles no sítio”. Tinha braços que disparavam coisas. Braços que disparam coisas era cocaína para o cérebro de uma criança dos anos 80. Eu gostava do gajo. Fazia-me lembrar o meu pai, cujo braços disparavam mãos quando eu dizia alguma coisa estúpida.

TEELA

A guardiã e tutora do He-Man tinha pinta de fonga, era filha da Sorceress e foi criada num ninho. Não apenas isso, foi adoptada pelo Man-At-Arms, provavelmente para viver uma relação incestuosa como sua escrava sexual no castelo . Sinceramente, todos esperávamos que o He-Man malhasse que nem gente grande na Teela, mas ele preferia andar feito “maluca” em cima do tigre de um lado para o outro de espada na mão. Gostos.

ORKO

Este era um pequeno fantasma/duende/muçulmano com a mania que fazia truques de magia. Aquele “O” na roupa devia ser de OTÁRIO, tal era o nível de estupidez que ele demonstrava em todos os episódios. Por outro lado, podia ser uma mensagem subliminar a indicar onde é que o He-Man gostava de enfiar a espada todas as noites: num belo e apertado “O”.

SKELETOR

Este era o mau! Tinha de haver sempre um “mau” nestes cartoons dos anos 80 e era assim que nós os carinhosamente apelidávamos: os maus! Havia bons e maus. Os bons eram uma mescla de homossexualidade reprimida, incesto, filhos fora do casamento e praticantes de ocultismo. Os “maus” eram simplesmente um grupo de gente feia com problemas de nutrição e que podiam muito bem hoje em dia ser confundidos com refugiados sírios. Não há muito mais a dizer sobre o Skeletor, pois ele era um esqueleto de capuz que se dedicava a conquistar uma terra feia que nem cornos enquanto falava naquele timbre de voz típico dos vilões dos cartoons desta era.

Qual era a dinâmica desta fantástica série dos anos 80? Bastante simples: 

- Principe Adam, o gato e os amigos estavam descansados a falar sobre algum assunto trivial.
- Aparecia o Skeletor, dizia “eu vou fazer uma coisa e vocês não me podem impedir” e ria de forma maquiavélica no topo de uma montanha.
- Principe Adam, o gato e os amigos olhavam e diziam “oh não, ele vai fazer uma coisa e nós não podemos impedir!”.
- Skeletor fazia uma coisa e ninguém o impedia.
- Principe Adam, o gato e os amigos olhavam e diziam “se ao menos um de nós tivesse uma espada mágica que nos desse poderes e que sempre usámos em todos os episódios para impedir o Skeletor de fazer mais coisas…”
- “By the Power of Greyskull!”
- Skeletor levava no focinho.
-Fim

Cheguei a ter os bonecos desta série e olhem que adorava brincar com pequenas figurinhas musculadas no meu quarto. Felizmente tudo acabou bem e os meus sentimentos estranhos por homens estão bem reprimidos. Em Narnia.

#hemanismo

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