Se vocês forem como eu, não fizeram muitas refeições na última semana de Dezembro. Fizeram apenas uma que começou a 24 e terminou a 31. E depois disto olhei de soslaio para um espelho que tenho no quarto e por momentos pensei que estava a ver o teaser do novo Star Wars porque estava lá o Jabba The Hut reflectido. E é em momentos destes em que se saímos de sobretudo bege à rua já nos chamam de táxi, que nos ocorrem ideias de merda tais como começar a correr diariamente. O problema é que eu quando vou correr, além de parecer um leitão de Negrais patrocinado pela Decathlon, começo a magicar todas as desculpas para não o fazer.

 

 

Dia 1

Assim que visto a minha t-shirt da Seixalíada de 1998, olho para o smartphone e vejo que tem pouca bateria. Não vai dar. Preciso de música. Para comer Oreos não preciso de música. E sento-me a comer Oreos.

Dia 2

Volto a vestir a t-shirt da Seixalíada de 1998. O smartphone hoje tem bateria. Merda, vou ter mesmo de ir correr. Como uma Oreozinha para me dar força… crunch crunch. O que é aquilo? Uma árvore a abanar com vento? Não vai dar. Não corro com vento. Sento-me no sofá, abro duas Oreos ao meio, junto as partes que têm mais recheio e sento-me a comer.

Dia 3

Volto a vestir a t-shirt da Seixalíada de 1998. Smartphone tem bateria. Não está vento nenhum. Não há nuvens. E não tenho Oreos. Suspiro… merda.

Passo 1 – descer á rua. Fazer gestos de aquecimento perto da vizinhança olhando sempre em volta para eles verem o quanto saudável eu sou, e que por momentos esqueçam as dezenas de vezes que me viram entrar em casa todo torto acompanhado por gente com pior aspecto que eu.

Passo 2 – iniciar a marcha e procurar no smartphone o “Eye of The Tiger” no meio de 837 músicas. Aproveito e vou ao Facebook das bolachas Oreo fazer like.

Passo 3 – ao passar por duas boazudas, encolher a barriga, encher o peito, fazer sons tipo “ooosh” e bater mais os pés durante a passada para chamar a atenção porque na minha cabeça isto faz toda a lógica que lhes vai dar um desejo incontrolável de ter sexo comigo ali na hora.

Passo 4 – esconder-me atrás de um arbusto a descansar e para tirar as pedrinhas que me entraram nos ténis com tanto bater de pé. Primeiro sinal de fome.

Passo 5 – retomar a marcha desta vez com a minha app que marca os meus passos no Google Maps e tento desenhar uma pila gigante à volta de Alhos Vedros com um dos tomates na casa do Tinoco e o outro na casa do Damásio. Cansativo demais. Ficou uma pila monotomate mas muito gira para partilhar no Facebook.

Passo 6 – ir ao Minipreço comprar Oreos e iniciar um sprint olímpico até casa porque que tenho fome e quando a fome aperta o gordo ganha asas nos pés e tranforma-se no Francis Obigordelu. Ai não!Passo 6 – Sentar no sofá a comer Oreos.

Correr não dá.

T-shirts

t shirts do ruim

T-shirts do Ruim na loja online do Cão Azul.

COMPRAR T-SHIRTS

O Livro do Ruim

livro do ruim

A compilação dos melhores textos da página e com prefácio do não tão conhecido Quimera.

COMPRAR O LIVRO

Quem?

ruim o rui conceicao

O auto-proclamado autor, guionista, blogger e comediante.