Os jogos das meninas pareciam todos demasiado complexos para mim. Desde o jogo do elástico só ao alcance de jovens bailarinos da companhia de Teatro de Bolshoi, o jogo da macaca que misturava a dificuldade da matemática em ser arraçado de símio até ao enigmático “pinpuneta tapitapituxa” que pela sua fonia me provocava choques anafiláticos nos ouvidos. Mas o que mais me intrigava era aquela banda sonora dos recreios. Aqueles jogos que prepararam fisicamente as mulheres adultas de hoje em dia com reflexos felinos para distribuir chapadas nos maridos quando os apanham a olhar para o decote da amiga. Falo daqueles jogos que se punham frente a frente a bater palmas em sequência hieroglíficas uma na outra, enquanto cantavam uma lengalenga. E eu estava na merda. Por um lado, jogar à bola estava fora de questão devido a eu próprio me parecer uma bola e ir sempre fazer de alvo para à baliza. No outro polo oposto, estava impedido pelas regras de recreio brincar com meninas.Os jogos das meninas pareciam todos demasiado complexos para mim. Desde o jogo do elástico só ao alcance de jovens bailarinos da companhia de Teatro de Bolshoi, o jogo da macaca que misturava a dificuldade da matemática em ser arraçado de símio até ao enigmático “pinpuneta tapitapituxa” que pela sua fonia me provocava choques anafiláticos nos ouvidos.

 

 

Mas o que mais me intrigava era aquela banda sonora dos recreios. Aqueles jogos que prepararam fisicamente as mulheres adultas de hoje em dia com reflexos felinos para distribuir chapadas nos maridos quando os apanham a olhar para o decote da amiga. Falo daqueles jogos que se punham frente a frente a bater palmas em sequência hieroglíficas uma na outra, enquanto cantavam uma lengalenga. E eu estava na merda. Por um lado, jogar à bola estava fora de questão devido a eu próprio me parecer uma bola e ir sempre fazer de alvo para à baliza. No outro polo oposto, estava impedido pelas regras de recreio brincar com meninas. Curioso como depois no secundário estas regras se invertem. O que é certo é que ficava sentado num lancil a observar este pequeno ecossistema a interagir e houve sempre uma lengalenga que me intrigou e que carece de análise:

Toyota

Toyoto-lé

O meu amor

Partiu um pé

Fui chamar o 115

E ele disse"Está tudo bem"

Eu fui à Bélgica

De avião

No aeroporto encontrei um borrachão

Pisquei-lhe o olho

Apertei-lhe a mão

E o que ele disse era um ponto de interrogação

Stop!


Toyota todos sabemos o que é, mas toyoto-lé soa a algo que se apanha nos tomates e só passa com antibióticos. Agora, quanto ao sujeito desta história sabemos que: tem um namorado que partiu um pé, que chamou o 115 e que depois se meteu no caralho para o aeroporto com ele a acenar feito cromo “está tudo bem”. Não vou aqui entrar em julgamentos de valor entre o que se passou entre eles os dois nem como estava a relação deles, mas deixar o namorado de pé partido sentado nalgum lancil e ir para o aeroporto é típica atitude de cabra de merda. Foi para a Bélgica. Ok tudo bem. Chocolates e pedofilia. Não vou especular. Seja como for, ela conheceu alguém no aeroporto (devo lembrar que por esta altura está o amor de pé partido ainda à espera mas na cabeça dela o gajo já se esvaiu em sangue). Nem olá, nem bom dia: piscar de olho e aperto de mão, EMBRULHA! Só falta um post it na testa a dizer “fode-me à bruta Jean Pierre”. Agora fica aqui o grande enigma desta história: o que é que ele lhe disse? E porque é que de repente temos de parar quando isto estava a ficar interessante? Podemos supor que ele respondeu em francês “tu est une pute”. Podemos supor muita coisa sobre isto. Nunca saberemos.

E a esta hora ainda está o outro de pé partido à espera dela enquanto a menina anda a ser aviada pela equipa de juniores do Anderlecht. Gajas…

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