Toda a nova relação é na sua essência uma paixão adolescente. É de uma beleza pura e ímpar em que estamos com umas viseiras aos defeitos do outro. Fofinho. É tudo coelhos rosa feitos de algodão a saltar por campos cheios de malmequeres junto a unicórnios tendo como fundo um cenário idílico. Fazemos promessas e juras. Aquela pessoa é a tal. Eu tenho a certeza. Tal como tive nas outras 12 antes. Até que um dia ele deixa a tampa da sanita levantada. Até que um dia ela deixa a merda do ralo da banheira entupido com mais cabelos que o Chewbacca. Aquilo já aconteceu dezenas de vezes antes e porque é que agora naquele momento é que se reparou nos nervos que aquilo mete? E porque é que de repente as noitadas de Playstation com os cabrões dos amigos começou a meter impressão? Ou aquele amigo dela de merda que é o BFF e a abraça demais é agora olhado de lado? Acabou a lua-de-mel. Coelhos rosa todos para dentro da jaula que isto agora é que vai começar.

 

 

De repente, todos os defeitos da criatura que ontem era perfeita, hoje vêm ao de cima. É porque ele come de boca aberta. Porque se peida demais. Porque coça os tomates a falar ao telemóvel. É porque ela nunca se despacha a tempo. É porque me pede opinião entre duas peças de roupa e diga o que eu disser vem com 29 perguntas de porquê que não escolhi a outra. Tudo mete impressão de repente. Amamos esta criatura e estamos prontos para lidar com isto ou metemos-lhe um par de patins? E aqui entra a nossa capacidade de amar o imperfeito. Amar não é bom. Não é fácil. Exige trabalho, dedicação e compreensão. MUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUITA compreensão. Houve um zarolho que escreveu uma vez que amor é fogo que arde sem se ver. Para esse que passou metade da vida longe da mulher é fácil escrever merdas dessas. Se o Sr. Camões aturasse a esposa todos os dias com perguntas de merda sobre as ninfas do Tejo e a ilha dos Amores a coisa tinha mudado para “amor é o caralho que te foda, sua psicótica de merda. Posso ir viajar para a Índia com os meus amigos em paz? Não te disse? Mas como não te disse? Deixei um papiro com isso escrito na sala!”. As promessas de amor têm tanta validade quanto os actos que as sustentam. Amor e o seu verbo de acção amar são um processo. Um processo que envolve perceber uma coisa: eu odeio tanto este cabrão que não consigo viver sem ele. Eu quero esganar esta cabra mas quero o fazer até ao fim da vida. Amar é sofrer. Nunca é bom. Discussões, gritos, ameaças de porrada, lançamento de eletrodomésticos e comandos Dual Shock faz parte de amar. Como o carinho. A compreensão mútua. A amizade. A cumplicidade. Nenhum lado vive sem o outro. Não achem casal perfeito o que não discute, pois isso é um indicador que são os dois uns sociopatas. Ou pior: não se amam. Quem deixa de amar fica apático. Vazio. Sem chama. Talvez o zarolho tivesse razão afinal: amor é mesmo fogo que arde sem se ver.

Não percam a chama.

Qualquer coisa joguem-lhe fogo (ao amor, não á vossa namorada).

Agora sim… Feliz Dia de São Valentim, seus pombinhos!

T-shirts

t shirts do ruim

T-shirts do Ruim na loja online do Cão Azul.

COMPRAR T-SHIRTS

O Livro do Ruim

livro do ruim

A compilação dos melhores textos da página e com prefácio do não tão conhecido Quimera.

COMPRAR O LIVRO

Quem?

ruim o rui conceicao

O auto-proclamado autor, guionista, blogger e comediante.