O pregão “vamos às putas” é tão sobejamente bem largado para irritar mulheres e namoradas mas depois tão mal cumprido pelos homens. Não há jantarada que não seja combinada que não haja um corajoso a terminar a frase com “… e depois vamos às putas”. Pois, ninguém vai às putas. Quem vai às putas não diz que vai às putas. Simplesmente vai. Mas aqui vou ter fazer umas aspas: eu uma vez fui às putas. E não estou a falar do Kaxaça, mas sim de um sitio onde se assumem como tal e não disfarçam. Aqui no clube recreativo de Alhos Vedros do qual sou sócio, costumo jogar uma cartada com o grupo de chinquilho. Quando digo grupo de chinquilho, entenda-se uma cambada de bêbedos de meia-idade que decidiu chamar de chinquilho beber “amarelinha”. O que é “amarelinha”? Eles dizem que é aguardente, eu digo que é algo que eu ponho no meu carro e consigo que ele pegue e me leve ao Algarve. Portanto, estou eu, a morsa babona do Tinoco e mais três gajos do chinquilho na cartada.

 

 

A “amarelinha” já ferve, o Tinoco tenta em vão apanhar os sinais da sueca dos velhos e eu já estou fodido porque se acabou o Jameson e tenho de beber Grant’s (que nojo).O pregão “vamos às putas” é tão sobejamente bem largado para irritar mulheres e namoradas mas depois tão mal cumprido pelos homens. Não há jantarada que não seja combinada que não haja um corajoso a terminar a frase com “… e depois vamos às putas”. Pois, ninguém vai às putas. Quem vai às putas não diz que vai às putas. Simplesmente vai. Mas aqui vou ter fazer umas aspas: eu uma vez fui às putas. E não estou a falar do Kaxaça, mas sim de um sitio onde se assumem como tal e não disfarçam. Aqui no clube recreativo de Alhos Vedros do qual sou sócio, costumo jogar uma cartada com o grupo de chinquilho. Quando digo grupo de chinquilho, entenda-se uma cambada de bêbedos de meia-idade que decidiu chamar de chinquilho beber “amarelinha”. O que é “amarelinha”? Eles dizem que é aguardente, eu digo que é algo que eu ponho no meu carro e consigo que ele pegue e me leve ao Algarve. Portanto, estou eu, a morsa babona do Tinoco e mais três gajos do chinquilho na cartada. A “amarelinha” já ferve, o Tinoco tenta em vão apanhar os sinais da sueca dos velhos e eu já estou fodido porque se acabou o Jameson e tenho de beber Grant’s (que nojo).

“Vamos às putas” – diz um dos velhos.
“Bora!” – diz o Tinoco.

Eu rejubilei. Vamos às putas? Ás putas putas? Aquelas reais? Oba! Vou conhecer uma puta! Mas o que é que lhe vou dizer? E assim vestido? Ai que horror. Começo aos saltinhos amaricados de tanta excitação que tento em vão esconder. Eles não entendem a minha excitação, mas para mim era como ir conhecer alguém com uma profissão sobre a qual eu tinha montes de perguntas tal e qual quando conheces um policia, um bombeiro ou um carteiro que tenha na sua rota o bairro da Jamaica.

Nem precisei de saber para onde íamos porque todos os caminhos onde há putas vão dar à Quinta do Conde. Aqui nesta terra, os pontos de referência são as casas de meninas e visto do Google Earth é só pontinhos vermelhos (fica a ideia para a Junta de Freguesia desta terra organizar um evento onde todos os pontinhos vermelhos desenhassem um grande narso visto do céu, o chamado “espectáculo do caralho”). Já dentro da vivenda, somos recebidos pela madame. Senhora simpática, pele enrugada com ar de muita quilometragem mas que ainda dava umas curvas com o depósito atestado. Digamos que parecia um Mercedes de 1987. Lá a senhora encaminha cada um para o seu destino e fico eu mais o Tinoco com a senhora numa espécie de kitchenette. A senhora diz-nos que podemos sentar. Fiquei com vergonha. Não sabia como quebrar o gelo. O Tinoco fez o obséquio: “Então tu és puta também ou só mandas nas outras?”. E é por isso que o amo. A sensibilidade de um elefante numa loja da Vista Alegre misturada com a inocência pueril de uma criança com Síndrome de Down a brincar com um novelo de lã. Peço desculpa em nome do meu amigo mas foi a minha deixa para iniciar um belo diálogo. Lá dentro do quarto os 3 bêbedos revezam-se à vez a aviar a mesma tipa e aquilo ia para durar. A “amarelinha” já tinha derretido os recetores sensoriais daquelas pichas e metessem eles o nabo numa gaja ou num vaso Ming era a mesma coisa. Falei com a senhora madame sobre quem ela era, as suas origens e como se tinha metido neste negócio. Tive uma breve explicação da logística de uma casa de putas e percebi que não difere muito de uma churrasqueira: um gajo entra, olha para o que há, pede com ou sem picante, paga e vai comer até chupar os ossinhos. Percebi que a madame ganhava mais num mês que eu num ano. Tinha um filho na Suíça e era divorciada mas feliz. Não tinha rancores com a vida. Tratava bem as suas “peixinhas” como ela carinhosamente lhes chamava. Ofereceu-me algo para comer ao qual eu aceitei. Fez-me uma sandes mista e ainda juntou um Yoplait de Pina Colada para desembuchar. No final deu-me um beijo, abraçámo-nos e disse-me ao ouvido “obrigado” de voz tremida. Somos interrompidos pelo Tinoco que diz “olha lá, não fazes um broche à gente?”. E é isto. Saí da casa de putas satisfeito.

Confesso que fiquei bem aviado e feliz de finalmente ter ido a onde sempre fantasiei. E cheira exactamente como esperava: a incenso, colhão e Brut.

Dedicado a todas as mulheres que as voltas da vida lhes trocaram os planos e fazem o que conseguem para pôr o pão na boca a quem não pode faltar. E às putas também.

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