Há uns meses escrevi aqui umas linhas sobre a noite da Margem Sul. Com elas ganhei ameaças, avé marias e inclusive fui convidado a sair de um estabelecimento na zona ribeirinha da Amora (quando começas a incomodar é quando te apercebes que estás a fazer as coisas bem).Há uns meses escrevi aqui umas linhas sobre a noite da Margem Sul. Com elas ganhei ameaças, avé marias e inclusive fui convidado a sair de um estabelecimento na zona ribeirinha da Amora (quando começas a incomodar é quando te apercebes que estás a fazer as coisas bem).Não contente com isto, convenceram-me a ir para o Kaxaça este sábado o que me fez recear por momentos se alguém me ia dar um estouro na cara assim que metesse as patas lá dentro. Fui a acompanhar o Tinoco mais o nosso amigo Farfalha que é o road manager de uma dupla de DJ’s/Entertainers e assim consegui a infiltração. Peguei em dois holofotes, o Tinoco nuns confettis e numa tiara de princesa e lá passámos por assistentes do road manager.

Já não ia há cerca de 12 ou 13 anos ao Kaxaça e a minha opinião é a mesma: o sítio é espectacular, tem uma arquitetura fantástica, vista para o rio, espaços amplos, decoração engraçada e um staff muito profissional e disponível. E aquele momento que eu estive mais o Tinoco na zona exterior sentados em puffs a ver o rio e a discutir o que aconteceu aos rins do Boateng foi dos melhores momentos que vivi na noite da Margem Sul. O problema é que depois abriram as portas e entraram outras pessoas que não nós os dois e o Farfalha.

 

Não vale a pena relatar o que já por si foi descrito por muitos e o que já por muita vez vocês também viram e vos fez revirar os olhos. Até podia ser uma questão de que tanto eu como o Tinoco somos trintões e seria esse o motivo do nosso desfasamento em relação às outras pessoas, mas não, dado que até havia um número considerável de pessoas mais velhas que nós e cujo guarda fato tem um sinal à porta a dizer “Não renovar a partir de 1996”.
Faz-me lembrar aquele lugar-comum que se costuma dizer em finais de relações: o problema não és tu, sou eu. E foi isso que me apercebi. Não posso ser arrogante suficiente ao ponto de achar que eu é que tenho razão e as mais de 400 pessoas que lá estavam não. Se algo te faz feliz e te sentir bem, não penses duas vezes e faz. Roça-te nela/nele, mostra as bordas do cu, dança o esquema, bebe cocktails de gin apesar de teres 16 anos e o copo ser maior que tu ao ponto de parecer que andas a passear um aquário… GO NUTS.

Musicalmente estes espaços não me dizem nada e muitos menos as pessoas. Novamente vou frisar: o problema não são elas sou eu, mas vamos ser honestos e chamar as coisas pelos nomes: aquilo é um talho. Um enorme talho. Eu gosto tanto de cabredo como o meu próximo, mas cabredo é uma coisa e kabra di bredo é outra. Da coruja velha (tentativas de Carla) à miúda com 16 anos a mostrar as trompas de Falópio eu senti-me completamente desajustado e fora do meu meio. E é assim que deve ser e eu tenho de aceitar que não tenho de impor o que eu ache que devem ser as regras de conduta de uma pessoa quando sai à noite. Nem o que ela deva ouvir quando sai á noite. Nem com quantos nardos já levou na boca na pista de kizomba. Nem o facto de ter uma estampa a dizer “aluga-se” na cabeça. Nem que após estes anos todos os homens não perceberam que dançar em frente a raparigas como um pombo em fase de acasalamento nunca deu em nada.

Se existe uma oferta de um produto/serviço/conceito e a demanda é correspondente então é assim que as coisas têm de ser e eu tenho de me resignar que não tenho sítio para sair nesta Margem. Estou a remar contra a maré do rio Gallo numa canoa furada e uma colher de café a fazer de pagaia. Desisto. Vou "mazé" lá fora comer um kebab que por agora ainda isso me cai bem.

Uma coisa a reter: há um cocktail bar lá dentro que faz uns mojitos fantásticos. E passa música dos anos 80. O Kaxaça pensou no Ruim com 20 anos, esqueceu-se do de 30 mas já pisca o olho ao de 40.

Os putos que acompanhámos deram um show enérgico do caraças ao público. E se há público então não se pode parar.

E qualquer coisa havia um open air no Cristo Rei com Boris Brejcha que ORGULHOSAMENTE eu e o Tinoco dissemos ao sair: "naaaa.. vamos para casa espancar o macaco e dormir".

Baby steps, Tinoco.

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