33 anos e já me separei duas vezes e isso faz de mim o equivalente a uma trintona encalhada mas com menos um gato dos que tenho, ou seja, nenhum.33 anos e já me separei duas vezes e isso faz de mim o equivalente a uma trintona encalhada mas com menos um gato dos que tenho, ou seja, nenhum. Das duas vezes que me separei, testemunhei ao vivo os limites da maldade humana das minhas duas ex-namoradas e de como só uma mente feminina tem a vil intenção de me fazer sofrer a curto e longo prazo.

A primeira vez foi como um arrancar lento de um penso em ferida já mais que aberta, um puxar vagaroso daqueles que traz crosta e pêlos atrás, em que manténs a cara engelhada e bufas devagar devagarinho na esperança que doa menos. 3 meses antes da pessoa se meter a andar de vez, foi decidido e acordada a intenção de separação (e jamais meteria a rapariga fora de casa à força, não sou nenhum animal e há mínimos que devem ser respeitados nestas situações). Durante 3 meses dividi cama e casa com uma pessoa que tanto significou e agora pensamos no nosso íntimo em lhe dar uma patada "acidental" a descer as escadas do prédio e episódios a mais do CSI nos demoveu dessa ideia. O silêncio que imperava na vivência em comum era tal, que os pensamentos faziam eco nas paredes. O nosso leito parecia um diorama da situação do Médio-Oriente com a Faixa de Gaza ao meio (uma linha imaginária) e Israelitas e Palestinos de faces voltadas. Certa vez, no meio do sono deu-me para “frescura” e ia ficando sem braços mas isso era o meu subconsciente armado em engatatão.

 

E porquê esta contextualização toda? Simples. Tudo correu bem, disse adeus e até um dia à moça e habituei-me à ideia desta nova realidade. Mas fiquei desconfiado de tão bem que isto correu, que aquela megera devia ter feito alguma que se me escapou ao meu incauto olho desejoso de a ver pelas costas. A 16 de Dezembro de 2008 vou à minha arrecadação para montar a árvore de Natal (para que conste, eu sou um bocado menina de 9 anos com o Natal e tenho tendência a decorar tudo e mais alguma coisa com meias e pequenos gorros de anões). Vim todo alegre com o caixote dos enfeites e o meu pinheiro artificial do chinês que tem um tamanho de um bonsai, cantarolando jingles pela escadaria do meu prédio e cumprimentando de forma efusiva os meus vizinhos que pensam sempre que me droguei nesse dia. Pouso tudo na sala e abro o caixote. Zero. Nem luzes. Nem bolas. Nada. Zero. AQUELA P*** LEVOU-ME OS ENFEITES DE NATAL. Terem-me levado as minhas bolas verdes e vermelhas, foi um chuto nas bolas bege. Aquele “Grinch” de saia e rabo empinado sabia que isto ia-me afectar e ia conseguindo estragar-me o Natal, pois fui desde minha casa até ao chinês às cara******* para o ar e a desejar que lhe descobrissem um tumor inoperável no fundo da espinha.

O outro penso foi arrancado a frio. Aquela dor que te atravessa o escroto e sai pela boca sob a forma de cinco oitavas acima de Si. Saiu de um dia para o outro, caixote nas patas (admiro a dureza) mas foi um pormenor à saída que me fez perceber que dividi casa com um génio do mal:

“Estás a ver estes cotonetes? FUI EU QUE OS COMPREI E VOU LEVÁ-LOS!” – gritou ela com aquela Cruella expressão de que está a um passo de fazer um casaco com 101 Dálmatas.

Outra que sabia da minha panca em tirar cera dos ouvidos. Ela sabia JUSTAMENTE o que me tirar para me fazer ficar a bater mal naquele momento e tudo bem que fui a correr comprar mais, mas o facto de saber que não os tinha deixou-me com a sensação que tinha o Madame Tussaud a escorrer-me pelos tímpanos.

Todas as vezes que tiro cera dos ouvidos e monto a árvore de Natal, lembro-me sempre disto.
E todas as vezes sorrio e penso de como merecia bem mais que isto.

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