Existe um fenómeno comum a todos que anda a tirar-me horas de sono há anos e ninguém fala nisto por vergonha ou simplesmente agora é tudo refugiados e não há mais problemas no mundo: as mesas com o lanchinho ajantarado dos aniversários caseiros. Aquelas que o anfitrião perdeu 10 minutos a fazer, sabem? Aquelas ornamentadas por pratos da mais requintada baixela de plástico contendo uma oferta variada de fritos, sandes mistas de triângulo sem manteiga (isto é um ultraje), batatas fritas de pacote, dois tipos de paté caseiro acompanhados de tostas a saber a mofo porque abriram o pacote há 3 meses, um mix de frutos secos e os mais abastados costumam complementar a oferta com frango frio, fatias de carne assada e salada de feijão frade com atum.Existe um fenómeno comum a todos que anda a tirar-me horas de sono há anos e ninguém fala nisto por vergonha ou simplesmente agora é tudo refugiados e não há mais problemas no mundo: as mesas com o lanchinho ajantarado dos aniversários caseiros. Aquelas que o anfitrião perdeu 10 minutos a fazer, sabem? Aquelas ornamentadas por pratos da mais requintada baixela de plástico contendo uma oferta variada de fritos, sandes mistas de triângulo sem manteiga (isto é um ultraje), batatas fritas de pacote, dois tipos de paté caseiro acompanhados de tostas a saber a mofo porque abriram o pacote há 3 meses, um mix de frutos secos e os mais abastados costumam complementar a oferta com frango frio, fatias de carne assada e salada de feijão frade com atum.

 

Mas não é na mesa que está o óbvio problema de pobrez... fome. A minha fome é por causa do acordo social que todos assinamos nesta situação que é estarmos em pé a fingir que não está lá nada e a mesa não existe. E damos uma volta perto da mesa a sondar, mas com um olho nos restantes convidados que secretamente desejam que sejas tu o alarve que vai tirar uma batatinha. Mas não tiras. Voltas para o mesmo sitio e mais dois dedos de conversa. Alguém comenta e elogia a mesa ao anfitrião que insiste que as coisas estão ali é para comer. A pessoa recusa dizendo que está cheio do almoço. Mentira. Está com uma larica que nem pode mas lembra-se do acordo social que assinou. Até que um "sem vergonha" de um puto ou um velho lá come um croquete, dando início à valsa.

"Olha já se pode comer!" - pensamos todos.

Em dois segundos aquilo vira o filme "300" em direção à mesa, e é ver pernas de frango pelo ar e um gordo que consegue a proeza de meter tudo o que há num prato minúsculo (o chamado "pijaminha"), putos a tirar mãozadas de fatias de presunto e uma coisa é sempre garantida: ninguém sabe onde estão os talheres de plástico. Quando as hienas estão prestes a terminar surge uma nova cláusula social : o rissol da vergonha. O último de cada espécie alimentar de repente ficou radioactivo porque ninguém lhe toca e nova coreografia se inicia. Usualmente quem come o último faz questão de usar psicologia invertida com os restantes e grita a todos que vai comer o último como se tivesse a anunciar a adopção de um sírio : "está tão bom e não vai ficar aqui, né...?"

Que filho da p****.

Somos estranhos. Eu? Eu entro, nem digo bom dia ao aniversariante e se puder acabo logo com um prato de alguma coisa que todos gostem sentado na varanda de gin ao lado.

Não assinei nada. E “não vai ficar ali, né?”

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