É dia 11 de Janeiro e a minha mãe completa 59 anos. Já tinha este texto agendado e programado para sair a esta hora, além que me encontro a trabalhar neste momento e amanhã não vou ter tempo para escrever algo lamechas no Facebook para todos lerem e ficarem a saber que eu amo de coração a minha mãe. Posto isto, aqui vai: a minha mãe Maria Teresa não teve uma infância muito fácil. Criada nos bairros de Lisboa, por ali se deixou andar até conhecer um marialva do bairro vizinho com o nome de José. Estão a ver a cena? José e Maria. Eu podia muito bem ser o Menino Jesus! Do pouco que sei da sua adolescência, posso dizer que foi uma pessoa bastante à frente para a sua época. Não conseguiu prosseguir os estudos, por falta de vontade. E por vontade, entenda-se dinheiro. Eu acredito que se a minha mãe tivesse guito, era Ministra da Justiça e corria aquela escumalha a tupperwares com restos de pernil. Do fruto desta bonita relação entre uma escriturária e um marinheiro submarinista, nasci eu. Um Deus. No fundo, a minha mãe é a mãe de um Deus e ser mãe de um Deus não é fácil, especialmente se ele for um Deus da Comida.

 

 

Teve-me aos 23 ou aos 25, mais coisa menos coisa. Consta que não fez nenhum post no Facebook a dizer "amor incondicional", mas são apenas rumores. Como é possível ser mãe de uma criança e não estar sempre a falar nisso? É estranho. A minha mãe e o meu pai gostavam bastante de sair. Dançar. Concertos. Não gostavam de música clássica e é por essa razão que eu não tenho Chopin no Spotify. Donos de um gosto musical apurado e de uma colecção de vinis de fazer invejar qualquer amante da coisa, cedo me incutiram o gosto pela música, a leitura e a comédia (mais o meu pai). Mas nem tudo são rosas nesta história, meus amigos. Sim, mãe. Eu vou contar a história dos calamares. Nos anos 90, a minha mãe comprou um saco de calamares congelados. Estes calamares eram - como se diz na gíria - uma valente merda. Pela primeira vez na história, eu disse "mãe, não quero comer!". O drama. O horror. Nunca a minha mãe tinha ouvido tal coisa do seu menino. "Mãe, odeio-te!". "Mãe, não sou mais teu filho!". Tudo bem, aceita-se. Isto não. "VAI PARA O TEU QUARTO!" - gritou Maria Teresa de lágrimas nos olhos. O meu pai tentou pôr água na fervura. "Não, Zé. Anda uma mãe a criar um filho para isto? Deixa-me lá provar os calamares... *patshiu*... f#da-se que merda de calamares!". Acham que ela vergou? JAMAIS! Foi preciso vir o meu pai ao quarto confortar-me e dizer "a tua mãe disse que os calamares eram uma merda. Queres ir ver o Allo Allo comigo?".

Era assim lá em casa. E que saudades tenho eu deste tempo.

Parabéns, mãe.

Nada disto faria sentido sem ti.

Mãe é mãe.

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