#criancismo

  • Lencinho – consistia em duas fações opostas que disputavam um lenço segurado por uma terceira pessoa. Esta normalmente ou era a mandona do grupo ou um gordo que não corria e a tarefa desse elemento era chamar por números e cada elemento da equipa ao ouvir o seu, corria como um desalmado para apanhar o lenço. Os guardas nazis jogavam isto com os judeus em Auschwitz e em vez do lenço era uma carcaça.

    Mata (ou piolho) – consistia em duas equipas com um dos elementos na parte oposta exterior da sua zona a trocar a bola. O objetivo era a equipa ir trocando a bola com o piolho e ir “matando” os elementos da outra equipa. Terminava quando o caixa de óculos ficava com vidros na retina ou a gaja do aparelho levava uma bojarda nas ventas que lhe punha o maxilar como aquela gaja do Saw 2. Punha o pessoal a mexer-se e mantinha as vendas de Betadine da farmácia local em altas.

  • Os jogos das meninas pareciam todos demasiado complexos para mim. Desde o jogo do elástico só ao alcance de jovens bailarinos da companhia de Teatro de Bolshoi, o jogo da macaca que misturava a dificuldade da matemática em ser arraçado de símio até ao enigmático “pinpuneta tapitapituxa” que pela sua fonia me provocava choques anafiláticos nos ouvidos. Mas o que mais me intrigava era aquela banda sonora dos recreios. Aqueles jogos que prepararam fisicamente as mulheres adultas de hoje em dia com reflexos felinos para distribuir chapadas nos maridos quando os apanham a olhar para o decote da amiga. Falo daqueles jogos que se punham frente a frente a bater palmas em sequência hieroglíficas uma na outra, enquanto cantavam uma lengalenga. E eu estava na merda. Por um lado, jogar à bola estava fora de questão devido a eu próprio me parecer uma bola e ir sempre fazer de alvo para à baliza. No outro polo oposto, estava impedido pelas regras de recreio brincar com meninas.Os jogos das

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  • Lembro-me do primeiro dia de escola como se fosse hoje. Estava de mão dada com os meus pais no pátio empredado da Escola Básica nº1 de Alhos Vedros e olhar para os outros miúdos com ar de parvo a perguntar-me a mim mesmo porque estavam a chorar. Ao longe, um até aí desconhecido Tinoco tirava macacos do nariz e colava-os numas barras de ferro que faziam de separadores para a entrada (foi amor ao primeiro macaco e ainda hoje ele continua a fazer o mesmo).Lembro-me do primeiro dia de escola como se fosse hoje. Estava de mão dada com os meus pais no pátio empredado da Escola Básica nº1 de Alhos Vedros e olhar para os outros miúdos com ar de parvo a perguntar-me a mim mesmo porque estavam a chorar. Ao longe, um até aí desconhecido Tinoco tirava macacos do nariz e colava-os numas barras de ferro que faziam de separadores para a entrada (foi amor ao primeiro macaco e ainda hoje ele continua a fazer o mesmo).

    Para mim tudo aquilo era excitante, novos amigos, ir aprender como as

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  • Neste último ano, tenho aprendido bastante com as filhas da Roomie. Aprendi que duas metades de bolacha não constituem uma bolacha inteira e que isso dá direito a um berreiro infernal.Aprendi que é possível ouvir 3881 vezes o genérico do "Livro da Selva" e achar novidade em todas as vezes. Aprendi que sou "feio" e "mau" num minuto e "Ruim amigo bom" no outro.

    Eu adoro a mente das crianças porque é criatividade em estado puro. As crianças possuem uma interpretação do mundo muito sui generis. Honesta acima de tudo. Uma criança aponta para um gordo e diz "gôdo!" ou para uma avó e diz "és velha!". Não estão presas pelos mesmos mecanismos lógicos que nós e as soluções para os problemas com que se deparam são algo surreais mas sempre contendo um fundo de lógica.

  • Da primeira vez que tive contacto com o sarcasmo fiquei extremamente confuso. Como é que é possível alguém estar a dizer alguma coisa, mas não estar realmente a dizer aquela coisa que está a dizer? E porque razão o faz? É maluco? Eu tinha desculpa em pensar assim porque tinha dez anos.

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